Na sessão realizada desta terça-feira (05), o vereador Luciano Almeida criticou a condução do governo municipal diante dos desafios socioeconômicos enfrentados por segmentos da população de Alagoinhas. Em tom contundente, cobrou um posicionamento do secretário municipal de Desenvolvimento Social, João Rabelo, especialmente quanto à ausência de licitação para a aquisição de cestas básicas destinadas às famílias em situação de vulnerabilidade.
“Enquanto diversas licitações foram feitas, a referente às cestas básicas, que poderia matar a fome de milhares de pessoas na nossa cidade, ainda não foi feita”, declarou. “É necessário que o secretário João Rabelo se pronuncie, seja verbalmente ou por meio de nota, para que explique o que está acontecendo.”
A vereadora Luma Menezes também cobrou um posicionamento do secretário quanto à descontinuidade dos benefícios eventuais, como o kit de higiene menstrual, cuja distribuição não apresentou avanços para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade.
“Sabemos que as mulheres são líderes de família e, muitas vezes, não há renda suficiente nem para garantir a alimentação, quem dirá os itens de higiene”, afirmou. “Descontinuar políticas públicas como essa é uma sinalização de que o governo não está preocupado com a vida dessas pessoas.”
Na sequência, a vereadora tratou da indicação para criação de um banco de leite materno humano, previsto por lei municipal desde 2002, mas ainda não concretizado no município. Ela relatou que, em reunião com a nova gestão do Hospital Materno Infantil, o mecanismo foi considerado como solução para que os recém-nascidos tenham acesso ao leite materno.
“Os corpos das mulheres são diversos. Muitas mães não conseguem produzir leite até o sexto mês, enquanto outras produzem em excesso e acabam descartando, por não haver um local para doação”, declarou. “Espero que esta indicação sensibilize a gestão municipal e a Secretaria Municipal de Saúde para a criação de um espaço adequado destinado à coleta e oferta de leite materno.”
Representatividade
A vereadora Juci Cardoso, por sua vez, provocou os homens presentes no plenário ao questionar se sabiam a quantidade de absorventes utilizados por uma mulher durante um ciclo menstrual – destacando, com isso, a importância da representatividade na formulação das políticas públicas.
“Falar sobre vulnerabilidade menstrual em uma cidade onde 90 mil pessoas vivem à margem ou abaixo da linha da pobreza pode parecer bobagem para alguns, mas para meninas e mulheres que usam tecido como absorvente, certamente não é”, afirmou.
Em seguida, ampliou o debate sobre as questões que afetam a saúde das mulheres: “Endometriose não é bobagem para a vereadora Luma, nem para milhares de mulheres que sofrem em silêncio, sem atendimento. A menopausa atinge a maioria das mulheres que dependem do SUS. Problemas hormonais, incontinências, doenças cardiovasculares e mioma são apenas algumas das condições que exigem serviços públicos comprometidos com a prevenção e com a garantia de qualidade de vida”, concluiu.





